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FEDERICO CINA | SS 18


VÁCUO

O desconforto começou pouco depois da minha chegada ao "novo" país. As diferenças surgiram imediatamente. E decidi inspirar-me nestas emoções desagradáveis. A sensação de contínua solidão, embora estivesse rodeado por milhões de pessoas que me empurravam nas saídas do metro, e continuavam nas suas vidas perfeitas, organizadas na perfeição, de forma maníaca e doente. 

Forçei-me a um país sufocante, como se estivesse a vestir uma t-shirt apertada e irritante. Isolado num mar de seres humanos. O que me incomodava era precisamente a perfeição forçada, o esforço para não me incomodar incomodava-me, como umas calças em pele muito apertadas que me impediam de andar naturalmente, forçando-me a passos robotizados, suados e cansativos. 

Sofia Coppola no seu famoso "Lost in Translation" capta perfeitamente este conceito. De vez em quando eu encontrei, como disse a cineasta, alguém como eu, perdido naquela diversidade. Isto fez-me sentir menos sozinho, como se fizesse parte uma tripulação, uma tribo, que comunicava silenciosamente, mais do que aqueles 10000 olhares vazios, que apenas observavam as suas rotinas.

Eu associo muito com o estereótipo "chav".

Corpos magros. Couro branco moldado. Enrolar, unir, apertar, embrulhar, compactar, forçar o corpo num tecido humilde, pobre e gelado. Deixar o corpo desprotegido, desamparado e descoberto. Um corpo tenso e nervoso que busca conforto em malhas macias, embora estas não o cubram. Ele encontra força na dureza da pele, como uma armadura que defende apenas algumas partes do corpo.

Uma pessoa sente-se forte ao usar um balaclava que comprime o rosto e protege-o dos julgamentos.


Biografia


Federico Cina
nasceu em Cesena, Itália, em 1994. No secundário estudou arte e pensava ser designer de interiores, depois cabeleireiro, mas a obsessão pela estética e especialmente pela moda tornou-se cada vez mais intensa, tendo decidido formar-se em Design de Moda na Polimoda, em Florença.

"Despertar de manhã, saber que posso projetar e criar algo novo e especialmente ter a oportunidade de me expressar vestindo as pessoas com minhas emoções é muito gratificante", afirma.


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