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'JOAN MIRÓ E A MORTE DA PINTURA' EM SERRALVES
17 Dezembro 2018

Toiles Brûlées, 1973

A nova exposição “Joan Miró e a Morte da Pintura”, patente na Casa de Serralves, no Porto, até 3 de março de 2019, propõe-se analisar as práticas artísticas radicais do pintor catalão, Joan Miró, em 1973.

No momento em que a crítica anunciava a "morte da pintura” como um facto consumado perante práticas que desafiavam as narrativas do alto modernismo - arte processual, performance, land art e instalação -, Miró colocou a pintura à prova, numa tentativa de renovar os seus recursos e procedimentos. “Miró queria ser o anti-Miró, para romper com a arte comercial, fácil e banalizada pela crítica mundial”, explica Joan Punyet Miró, neto do artista, com quem este iniciou em 1969 uma longa e produtiva relação de trabalho.

Josep Royo, amigo e colaborador de Miró, contou que um dia estavam no estúdio do pintor, a preparar uma grande retrospetiva no Grand Palais em Paris, quando Miró afirmou: “E se se queimasse o quadro?”, atirando um fósforo aceso à tela pousada no chão. O episódio é evocado no filme “Miró: Noventa Anos”, do fotógrafo Francesc Català-Roca - dedicado ao registo do processo de criação e de destruição das chamadas “Toiles Brûlées” em dezembro de 1973 - que está em exibição nesta exposição. Às telas queimadas juntam-se outros trabalhos que foram alvo de gestos radicais: os quadros perfurados, os “Sobreteixins” e "Sobreteixims-Sacks” (telas e tapeçarias de serapilheira em que Miró pintava).

No catálogo que acompanha a exposição, o curador Robert Lubar Messeri, prestigiado especialista da obra de Miró, examina o conceito de assassinato estético e o envolvimento do artista catalão com as práticas daquilo a que, em 1927 e 1928, chamava "anti-pintura”, para evidenciar o modo como a tensão entre pintura e anti-pintura que perpassou a sua obra subsequente atingiu um crescendo em 1973.

“Joan Miró e a morte da pintura” apresenta um conjunto de pinturas e objetos da Coleção do Estado Português em depósito na Fundação de Serralves e de várias importantes coleções internacionais - Coleções Fundació Joan Miró (Barcelona), Collection Adrien Maeght (Saint Paul), Fundación Mapfre (Madrid) e Fundació Pilar i Joan Miró (Mallorca), muitas delas nunca expostas em Portugal.

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