BRANCO é um caminho na noite percorrido por seis figuras brancas. A Bruxo, E Alfaiate, I Maria, O Jokerman, U Angelus, e o Artista. Estas seis personagens devem ser interpretadas como uma sucessão de sinais numa única página — um espaço que, à medida que se desenrola, revela os gritos de um tolo moribundo.
É uma sala escura, um retângulo branco, com alguns pontos de luz no seu interior.
Aproximem-se todos e ouçam.
Na verdade, isto é uma porta.
A porta — escura, claro — não é uma porta, mas sim uma parede. Não é nem uma parede nem uma porta. É uma boca aberta que deixa de ser uma boca porque fala em silêncio.
É uma pedra. Sabemos que não é uma pedra porque guarda as memórias de um corpo que outrora brilhava com luz e que agora deixa um rasto atrás de si.
Hoje trouxe um poema incandescente.
Quatre colors aparien el món
On em dissolc i on la beutat consir;
Si de la mar faig el meu elixir,
Dels quatre tints assaig el joc pregon.
Bru del teu nu i del teu ésser abscon,
Blau de la mar i dels ulls on em mir,
Blanc de l’hostal i, puix que em plau el gir,
L’ardent vermell que el teu llavi difon.
J.V. Foix (Sol i de Dol, Sonet XV)