SOBRE A ASSOCIAÇÃO MODALISBOA

A Associação ModaLisboa é uma organização sem fins lucrativos que trabalha para a valorização, qualificação e projeção da Moda portuguesa.

Entende a Moda como uma disciplina de autoria e design que estabelece ligações entre cultura, economia, indústria e sociedade. Através dos seus projetos multidisciplinares, a ModaLisboa aproxima agentes de criação, produção e conhecimento na construção de um setor mais sustentável, ágil e diverso. Desenvolve programas de raiz e atua na gestão, curadoria, consultoria e produção de iniciativas para o desenvolvimento do seu ecossistema, através de um trabalho colaborativo com um conjunto alargado de parceiros, como a Câmara Municipal de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa, a APICCAPS, o CENIT/ANIVEC e o CITEVE.

Participa ativamente em redes e estruturas internacionais, como a European Fashion Alliance (EFA) e o FashionKIC, reforçando a presença portuguesa nos principais debates, políticas e ações que moldam o futuro da Moda a nível europeu.

MISSÃO

Capacitar o talento, potenciar o ecossistema nacional e impulsionar uma Moda de Autor relevante e preparada para o futuro.

VALORES

CRIATIVIDADE
Reconhecemos a criação como motor de inovação, pensamento crítico e transformação cultural.

RESPONSABILIDADE
Promovemos práticas conscientes e sustentáveis, considerando os impactos sociais, ambientais e económicos da atividade.

INCLUSÃO
Defendemos uma Moda mais diversa, acessível e representativa da pluralidade de pessoas, experiências e perspetivas.

TRANSPARÊNCIA
Valorizamos a partilha de conhecimento, a clareza dos processos e a construção de relações de confiança.

COLABORAÇÃO
Acreditamos no trabalho em rede e na articulação entre diferentes áreas de conhecimento, gerações e contextos de produção.

FUTURO
Apoiamos o desenvolvimento do talento, a experimentação e a capacidade de antecipar os desafios e oportunidades que moldam a evolução da Moda.

GOVERNANCE

A Associação ModaLisboa é uma organização sem fins lucrativos constituída por pessoas ou entidades que partilham um objetivo comum e que se uniram para promover atividades, projetos e iniciativas de interesse coletivo. A sua atuação baseia-se na colaboração entre associados, na participação ativa da comunidade e na criação de valor social, artístico, cultural, educativo e profissional. Em vez de distribuir lucros, esta associação, como é próprio da sua natureza, reinveste os seus recursos no desenvolvimento da sua missão e no cumprimento dos seus objetivos.

modalisboa base catwalk 01

SOBRE A LISBOA FASHION WEEK

A Lisboa Fashion Week é a principal plataforma de apresentação da Moda portuguesa e o projeto central da Associação ModaLisboa.

Realizada semestralmente desde 1991 em coorganização com a Câmara Municipal de Lisboa, promove um diálogo entre diferentes espaços e comunidades da cidade, afirmando Lisboa como território de experimentação, pensamento e descoberta.

Em cada edição, a curadoria procura refletir as transformações da Moda contemporânea e as suas relações com a cultura, a tecnologia, a produção e a sociedade. Desfiles, exposições, conferências, workshops e apresentações criam um espaço de interseção entre criadores, indústria, instituições, especialistas, escolas, imprensa e público geral, fazendo circular conhecimento e perspetivas e gerando vínculos, colaborações e novas oportunidades de negócio.

No centro da sua ação está a amplificação do trabalho dos Designers de Moda enquanto autores e agentes de dinamização cultural e intelectual. A investigação, a excelência e a responsabilidade das suas práticas desenvolvem-se em proximidade com o saber artesanal e a inovação tecnológica da indústria, ativando interdependências fundamentais para a evolução do setor. Através de plataformas como o SANGUE NOVO e a WORKSTATION, a Lisboa Fashion Week apoia a capacitação, visibilidade e integração de novas gerações de criadores, contribuindo para a renovação contínua da Moda portuguesa.

 

Documentário ModaLisboa 50

 

HISTÓRICO

1991–1993 | A FUNDAÇÃO

A ModaLisboa nasceu em abril de 1991, fundada por Eduarda Abbondanza e Mário Matos Ribeiro, em coorganização com a Câmara Municipal de Lisboa. Reconhecida como uma das primeiras Semana de Moda independentes do mundo, reuniu no Teatro Municipal São Luiz os Designers que lideravam a cultura de Moda de Autor iniciada nas Manobras de Maio e no caldeirão criativo do Bairro Alto. Com coreografia de Paulo Gomes, a primeira ModaLisboa contou com Abbondanza / Matos Ribeiro, Ana Salazar, José António Tenente, Júlio Torcato, Lena Aires, Luís Barbeiro, Luís Buchinho, Manuel Alves/José Manuel Gonçalves, Manuela Gonçalves, Nuno Eusébio e Nuno Gama.

A sua criação alterou profundamente o panorama da Moda portuguesa. Num setor ainda fragmentado e sem estruturas de representação, a ModaLisboa reuniu criadores, produção, comunicação e instituições culturais numa plataforma comum, sistematizando e profissionalizando a atividade e a afirmação da Moda de Autor em Portugal. O projeto estabeleceu um calendário regular de apresentações em abril e novembro e ocupou diferentes espaços culturais da cidade, entre eles o Cinema Tivoli e o Museu da Marinha.

Desde a primeira edição, a cenografia e a arquitetura efémera foram centrais na construção da experiência da ModaLisboa e na forma como cada localização era interpretada. A intervenção nos espaços começou com Manuel Reis e prolongou-se com José Adrião, Miguel Vieira Baptista, P-06, MOOD e, mais recentemente, Nuno Castro Paiva.

Em 1992 realizou-se a primeira edição do concurso SANGUE NOVO, vencida por Maria Gambina, estabelecendo desde cedo o compromisso da ModaLisboa com a descoberta e o desenvolvimento de novos talentos. O período marcou igualmente o início da construção de uma identidade visual própria, através da colaboração com o Ricardo Mealha Atelier e de campanhas assinadas por fotógrafos como Pedro Cláudio e Carlos Ramos, bem como a abertura a referências internacionais, materializada na participação do Designer francês Xuly Bët.

1996–1999 | EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO

Após três anos de interregno, a ModaLisboa regressou em dezembro de 1996 com a fundação da Associação ModaLisboa. A criação desta estrutura deu estabilidade ao projeto e acompanhou a crescente profissionalização da Moda portuguesa, num momento em que o setor começava a ganhar dimensão, visibilidade e reconhecimento público.

Durante estes anos, a Lisboa Fashion Week alargou o seu âmbito de atuação. Aos desfiles juntaram-se exposições, plataformas dedicadas a novos talentos e outros formatos de programação que refletiam uma visão mais ampla da Moda. A edição de regresso, realizada na Cordoaria Nacional, reuniu Designers, fotógrafos, artistas e criativos de diferentes áreas numa grande exposição coletiva que anunciava uma relação cada vez mais próxima entre Moda e cultura contemporânea.

O período coincidiu com a emergência de uma nova geração de Designers, entre os quais Dino Alves, Fátima Lopes, Katty Xiomara, Miguel Vieira, Miguel Flor e Osvaldo Martins. O SANGUE NOVO ganhou expressão como espaço de descoberta de talento e, em 1999, surgiu a NOVA VAGA, dedicada a criadores emergentes e às suas primeiras experiências de apresentação pública.

A ocupação de espaços como a Cordoaria Nacional, a Gare Marítima de Alcântara, os Armazéns Abel Pereira da Fonseca, o Museu da Cidade e o recém-inaugurado Pavilhão de Portugal acompanhou esta fase de crescimento e contribuiu para aproximar a Moda de novos contextos arquitetónicos e patrimoniais da cidade.

1999–2003 | UMA LINGUAGEM PRÓPRIA

A partir de outubro de 1999, cada edição da ModaLisboa passou a ser construída em torno de um tema. Inédita no contexto internacional das Semanas de Moda, esta abordagem afirmou-se como um ponto de vista, uma interpretação do seu tempo e uma ferramenta de reflexão sobre o futuro que se mantém até hoje. A identidade visual das campanhas de comunicação e do próprio evento seguiu a mesma lógica, convocando a diversidade de vozes, visões e talentos que constroem o mercado. O arquivo multimédia da ModaLisboa reúne, além dos autores já mencionados, o trabalho de estúdios de design, agências, diretores criativos, fotógrafos, videógrafos e artistas visuais como Flúor Design, Washing Machine, Inês Gonçalves, João Silveira Ramos, Augusto Brázio, Marcin Tyszka, Ogilvy, P-06 Atelier, Rui Palma, Ricardo Santos, Joana Areal, Graficalismo, Rui Aguiar, Pedro Ferreira e Havas Lisboa.

No início do século XXI, entre o Museu da Cidade, a Torre Vasco da Gama, a Estação do Oriente, a Cordoaria Nacional, o Armazém Terlis e o Convento do Beato, a ModaLisboa acompanhou a expansão da cidade para novos territórios, ocupando espaços marcados pela renovação urbana, arquitetura contemporânea e memória industrial.

A intervenção da Associação ModaLisboa passou igualmente a abranger novas áreas. Em 1999 foram criados os Prémios ModaLisboa, reforçando os mecanismos de reconhecimento do setor. Em 2001, ano em que a Lisboa Fashion Week celebrou o seu décimo aniversário, foi inaugurada a ModaLisboa Design, uma loja dedicada à promoção da Criação Portuguesa em atividade até 2004, que se tornou num dos mais relevantes espaços de divulgação e comercialização de design. No ano seguinte, a Associação apresentou em Barcelona o projeto +PORTUGAL, uma plataforma multidisciplinar que reuniu Moda, Design, arte, fotografia, vídeo, artesanato e produção nacional para promover uma imagem contemporânea de Portugal junto de públicos internacionais.

A aposta no desenvolvimento de talento ganhou igualmente novas formas. O SANGUE NOVO revelou Designers como Carlos Raimundo, Joana Jorge, João Branco e Luís Sanchez, Marco Mesquita, Sara Lamúrias, Priscila Alexandre, Ricardo Dourado, Filipa Homem e Lara Torres. Paralelamente, o LAB afirmou-se como um espaço de experimentação para autores como Alexandra Moura, Aleksandar Protic e Lidija Kolovrat, contribuindo para o aparecimento de uma nova geração que viria a marcar a Moda portuguesa nas décadas seguintes.

2004–2007 | PROJEÇÃO

Nos anos que antecederam a crise financeira de 2008, a expansão económica, a consolidação dos grandes grupos de luxo e a crescente centralidade mediática da Moda alimentaram um período de grande confiança, particularmente favorável ao crescimento do setor.

O calendário da Lisboa Fashion Week atingiu uma dimensão inédita, passando a representar de forma mais abrangente o sistema de Moda português. A presença de Guest Designers como Felipe Oliveira Baptista, Gloria Coelho, Reinaldo Lourenço, Sonia Rykiel, Dawid Woliński, Delphine Murat e Max Chernitsov reforçou o diálogo internacional, enquanto marcas como Lion of Porches, Cheyenne, Lanidor, Globe Line, Lois e North East Polar refletiram uma aproximação crescente entre criação, indústria e mercado.

A atenção dedicada aos novos talentos traduziu-se, neste período, numa mudança de estratégia: perante a multiplicação de concursos para jovens Designers em Portugal, a ModaLisboa suspendeu temporariamente o SANGUE NOVO para concentrar recursos na plataforma LAB. Criada em 2004, rapidamente se afirmou como um espaço de experimentação e capacitação e integrou no calendário oficial Designers como Pedro Waterland, Priscila Alexandre, Ricardo Dourado, Storytailors, Ricardo Preto, Lara Torres e Aforest-design.

Do Armazém Terlis ao Armazém 23, no Cais da Matinha, do Museu da Electricidade ao Museu Nacional de História Natural, a ModaLisboa ocupou alguns dos mais emblemáticos espaços da cidade.

Também a identidade editorial evoluiu. FIVE STARS introduziu o primeiro manifesto textual das campanhas e FAST-FORWARD integrou o vídeo na comunicação, dando início a uma abordagem multidisciplinar que passou a cruzar texto, fotografia, design gráfico e imagem em movimento.

2007–2009 | NOVAS GEOGRAFIAS

Pela primeira vez, a Lisboa Fashion Week realizou-se fora de Lisboa. A mudança foi acompanhada por uma estratégia de comunicação inédita: o Cais do Sodré transformou-se no ponto de partida da edição e os comboios da Linha de Cascais foram revestidos com a campanha MOVE, fazendo do percurso entre as duas cidades uma extensão da experiência da ModaLisboa.

A mudança confirmou a força da comunidade construída em torno da ModaLisboa. Entre a Cidadela de Cascais e o Casino Estoril, Designers, parceiros, imprensa e público acompanharam o projeto, enquanto o calendário se renovava com autores como Pedro Pedro, White Tent, Vítor e a Guest Designer Isabela Capeto, a par da afirmação de Designers oriundos da plataforma LAB, como Ricardo Preto, Ricardo Dourado e Lara Torres. Marcas como Adidas, Cia. Marítima, Hello Kitty, Lion of Porches e Custo Barcelona contribuíram igualmente para uma programação cada vez mais diversa.

2010–2012 | O REGRESSO À CIDADE

Em 2010, a ModaLisboa regressou à sua cidade. Pela primeira vez, a Lisboa Fashion Week ocupou o Pátio da Galé, espaço que se afirmaria como o principal palco do evento durante a década seguinte. A estação seguinte, MODALISBOA IN THE MARKET, viveu integralmente no Mercado da Ribeira em pleno funcionamento, numa das intervenções mais inesperadas da história do evento. A partir de 2011, a programação principal regressou ao Pátio da Galé, enquanto o MUDE, os Paços do Concelho e o edifício do BPI ampliavam o diálogo entre a ModaLisboa, a arquitetura e o património da cidade.

Com uma profunda renovação geracional do calendário, o LAB afirmou-se como plataforma de lançamento para Designers como Marques’Almeida, Saymyname, Ricardo Andrez, Daniel Dinis, Luís Carvalho e Os Burgueses, cujos percursos rapidamente passaram a cruzar-se com os de Pedro Pedro, Valentim Quaresma, Aleksandar Protic, Alexandra Moura, Dino Alves, Filipe Faísca e Luís Buchinho. Neste período, a sustentabilidade deixou também de surgir como um tema pontual para integrar o pensamento da Associação e orientar, de forma progressiva, a construção das suas iniciativas e projetos.

O Estoril Fashion Art Festival encerrou simbolicamente o ciclo iniciado em 2007, reunindo, numa dezena de espaços entre Estoril e Cascais, mais de vinte iniciativas entre exposições, desfiles, instalações, cinema, fotografia, video art, arte pública, food design e debates. Com Espanha como país convidado, apresentou autores como Amaya Arzuaga, Paco Rabanne e Luis Venegas, aprofundando a dimensão artística e multidisciplinar da atuação da Associação.

Em 2011, os vinte anos da Lisboa Fashion Week foram assinalados por uma leitura crítica do arquivo da Associação. Integrada na sexta edição da bienal Experimenta Design, RETRO / FUTURE teve curadoria de Eduarda Abbondanza e Francisco Rocha, e reuniu no Antigo Tribunal da Boa Hora duas décadas de cartazes, convites e outros objetos de comunicação, revelando a evolução paralela da Moda, do design gráfico e da identidade visual da ModaLisboa.

2013–2016 | UM ECOSSISTEMA

Mantendo o Pátio da Galé como centro da Lisboa Fashion Week, a ModaLisboa expandiu significativamente a sua programação. Em 2013 nasceram as Fast Talks, criando um espaço permanente de debate sobre a indústria de Moda; o Wonder Room, aproximando o público das marcas portuguesas através de uma pop-up store dedicada à criação nacional; e o Close-Up ModaLisboa, com uma programação regular de cinema documental dedicada à cultura de Moda. No ano seguinte, a Workstation PHOTO alargou este ecossistema à fotografia, através de uma plataforma e exposição dedicadas à divulgação de novos talentos.

Em 2013 regressou o SANGUE NOVO, recuperando uma das plataformas fundadoras da ModaLisboa dedicada à descoberta de novos Designers. Nas edições seguintes revelou autores como HIBU, Olga Noronha, Inês Duvale, David Catalán, Duarte e João Barriga, enquanto o LAB continuou a lançar Designers como Awaytomars, David Ferreira e Morecco para o calendário principal, renovando continuamente o panorama da Moda portuguesa.

2017–2020 | REDES COLABORATIVAS

A itinerância voltou a marcar a Lisboa Fashion Week. O Centro Cultural de Belém, o Pavilhão Carlos Lopes e as Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento do Exército acolheram sucessivas edições do evento, e cada mudança de localização propôs uma nova leitura da Moda e abriu à comunidade espaços raramente acessíveis ou habitualmente afastados da programação cultural.

A colaboração afirmou-se como princípio estruturante da atuação da Associação. Em 2017 e 2019, o Showcase MODAPORTUGAL levou a Paris uma seleção da criatividade portuguesa, através de um projeto promovido pelo CENIT em parceria com a ANIVEC/APIV, APICCAPS, AORP e ModaLisboa. Também em 2017, o MODAPORTUGAL LINKS iniciou um programa de aproximação entre jovens Designers europeus, instituições de ensino, centros tecnológicos e indústria portuguesa, favorecendo a circulação de conhecimento e o contacto direto com a capacidade produtiva nacional. Nesse mesmo ano nasceu o UNITED FASHION, uma rede de sete organizações europeias de Moda dedicada à internacionalização, formação e desenvolvimento de negócio de Designers independentes, integrando a ModaLisboa numa das mais relevantes iniciativas de cooperação europeia do setor.

Na ModaLisboa BOUNDLESS, a sustentabilidade encontrou uma expressão prática e participativa através do Global Fashion Exchange, uma importante plataforma internacional dedicada à economia circular. Um mercado de troca de roupa, workshops, instalações artísticas e ações abertas ao público promoveram a reutilização, a redução do desperdício e novas formas de consumo responsável.

Em 2018, a 50.ª edição da Lisboa Fashion Week deu origem ao documentário ModaLisboa 50, realizado por Márcio Simões e produzido pela Kinema para a RTP2. Fruto de um extenso trabalho de investigação e dos testemunhos de quem construiu a história da Associação desde 1991, o filme reuniu diferentes gerações, olhares e memórias, preservando um património coletivo da cultura contemporânea portuguesa.

2020–2022 | SISTEMA EM ADAPTAÇÃO

A pandemia provocou uma rutura sem precedentes na indústria de Moda. Cadeias de produção foram interrompidas, calendários internacionais suspensos e o próprio modelo das Semanas de Moda foi posto em causa. A Associação ModaLisboa reorganizou profundamente a sua ação, preservando a continuidade da Lisboa Fashion Week e o apoio aos Designers portugueses. Deixou de ser obrigatória a apresentação de coleções correspondentes a uma estação específica, uma decisão que permanece até hoje e deu aos criadores a liberdade de definir os seus próprios ritmos de trabalho.

Integralmente ao ar livre, no Parque Eduardo VII, a MODALISBOA MAIS reduziu em cerca de 80% a sua dimensão presencial e intensificou a presença digital. Entrevistas, conversas, hosts, novos formatos audiovisuais e uma cobertura online sem precedentes passaram a integrar a experiência da Lisboa Fashion Week. Meses depois, a MODALISBOA COMUNIDADE realizou-se em formato digital: no Pátio da Galé, foram produzidos fashion films para cada Designer, complementados por entrevistas exclusivas e conversas com especialistas da indústria sobre formas de resistência e adaptação do sistema de Moda. Até a tradicional festa de encerramento encontrou uma expressão simbólica através de um DJ set de Yen Sung transmitido online.

Entre o Capitólio e a Estufa Fria, AND NOW WHAT? assinalou o regresso gradual ao formato presencial, com uma forte limitação de público e conversas ao ar livre dedicadas ao futuro da Moda. Em 2022, MODALISBOA METAPHYSICAL ocupou a Factory Lisbon e o Hub Criativo do Beato, encerrando este ciclo e abrindo uma nova etapa para a Associação.

Apesar do contexto excecional, a ModaLisboa manteve a aposta no desenvolvimento de talento. Constança Entrudo, João Magalhães e Béhen consolidaram os seus percursos, enquanto as plataformas de design emergente revelaram autores como Filipe Augusto, Carolina Raquel e António Castro.

2022–PRESENTE | CONVERGÊNCIA PARA O FUTURO

Ultrapassado o período de adaptação imposto pela pandemia, a Associação ModaLisboa redesenhou a sua atuação, assumindo uma intervenção cada vez mais estratégica na transformação da indústria de Moda. O trabalho desenvolvido ao longo do ano passou a estruturar-se em torno de áreas determinantes para o futuro do setor, como o design emergente, a construção de marca, o trabalho artesanal, a sustentabilidade, a inovação tecnológica e a formação. Esta evolução foi acompanhada por uma intensificação do trabalho em rede, aproximando empresas, associações setoriais, instituições culturais, centros tecnológicos, estabelecimentos de ensino e parceiros internacionais na construção de respostas comuns para os desafios da criação contemporânea.

As edições OASIS, CORE, À LA CARTE, FOR GOOD, SINGULAR, CAPITAL, BASE e PEBBLING acompanharam esta transformação. A Lisboa Fashion Week voltou a crescer de forma concertada e consolidou um modelo de programação distribuído por diferentes espaços da cidade. À Lisboa Social Mitra e ao regresso ao Pátio da Galé juntaram-se o MUDE, o CAM, o espaço público e novos formatos, aprofundando o diálogo entre Moda, cultura, arquitetura e cidadania e aproximando a criação de diferentes comunidades e públicos.

Neste período, a WORKSTATION NEW MEDIA, apoiada pela Direção-Geral das Artes, abriu espaço à realidade virtual e aumentada, à inteligência artificial e às linguagens digitais. Desenvolvido com a PVH Foundation, o programa amanhã criou oportunidades de formação e acesso à indústria de Moda para jovens de diferentes contextos sociais e económicos, promovendo uma maior diversidade de percursos profissionais. Com o CITEVE e o BCSD Portugal, o beat by be@t aproximou Designers e empresas têxteis na procura de soluções colaborativas para a sustentabilidade e a circularidade.

A FASHION HOUSE reuniu apresentações de Moda, exposições, tecnologia, artesanato, lançamentos, networking e uma programação dirigida a diferentes comunidades. Em colaboração com a APICCAPS e o CTCP, A DOIS PASSOS DO FUTURO aproximou o público dos processos de investigação, inovação material e desenvolvimento tecnológico que estão a transformar a indústria portuguesa do calçado.

A atuação da Associação ganhou também uma nova dimensão europeia. Enquanto membro fundador da European Fashion Alliance, a ModaLisboa participa na definição de estratégias e políticas para uma indústria de Moda mais sustentável, inovadora e socialmente responsável. A integração no FashionKIC aprofunda este trabalho, ligando criação, investigação, educação, tecnologia e produção em redes internacionais de conhecimento.

Trinta e cinco anos depois da sua fundação, a ModaLisboa continua a construir o futuro a partir daquilo que sempre definiu a sua história: a capacidade de reunir diferentes agentes, saberes e práticas para transformar as condições em que a Moda é criada, pensada e partilhada.

EQUIPA

Eduarda Abbondanza | Presidência e Direção Criativa

Joana Jorge | Direção de Projeto

Pedro Carvalho | Direção Financeira

Célia Félix | Direção de Parcerias e Patrocínios

Irina Chitas | Coordenação Editorial e de Conteúdos

Manuela Oliveira | Coordenação de Imprensa e Comunicação

Lígia Gonçalves | Assessoria de Imprensa Internacional

Cláudia Nunes | Coordenação de Website e Concurso Sangue Novo

Gonçalo Santos | Gestão de Redes Sociais

Fátima Barros | Gestão Administrativa

Luís Pereira | Coordenação de Desfiles, Casting e Bastidores

Inês Morgado | Direção de Produção

Graziela Sousa | Coordenação de Projetos Especiais