constanca entrudo marie hazard
DESIGNER

AD HOC CONSTANÇA ENTRUDO
+ MARIE HAZARD

QUINTA-FEIRA, 8 DE OUTUBRO. 22H00
MUDE — MUSEU DO DESIGN. ACESSO EXCLUSIVO PARA CONVIDADOS DA DESIGNER E DA ARTISTA.

AD HOC foi apresentado pela primeira vez em Nova Iorque, a convite da Studio2M, na exposição inaugural da galeria fundada por Abby Caulkins em 2026. A artista francesa Marie Hazard e a Designer portuguesa Constança Entrudo foram convidadas a desenvolver em conjunto um corpo de trabalho para o histórico loft da Studio2M no SoHo, concebido simultaneamente como atelier e espaço expositivo. Na Lisboa Fashion Week, AD HOC encontra uma nova apresentação no MUDE — Museu do Design, mantendo no centro os materiais e referências que ambas partilham e a vontade de aproximar Arte e Moda, questionando as hierarquias tradicionalmente estabelecidas entre as duas disciplinas.

Hazard e Entrudo conheceram-se enquanto estudavam Textile Design na Central Saint Martins. Uma década de amizade e proximidade criativa acompanhou o desenvolvimento das respetivas práticas e criou as condições para uma colaboração em que Arte e Moda ocupam o mesmo plano. AD HOC não pertence, assim, à artista ou à Designer, a Hazard ou a Entrudo, mas ao trabalho que constroem em conjunto.

Apesar das diferenças entre as suas práticas, ambas exploram a tecelagem enquanto linguagem e a interseção entre craft e tecnologia. As composições táteis de Hazard encontram o trabalho têxtil de Entrudo numa reflexão partilhada sobre o tempo necessário à produção de um tecido e sobre a forma como essa temporalidade se alterou com a introdução de novas tecnologias.

Hazard desenvolveu uma abordagem própria à tecelagem, cruzando pintura, fotografia e linguagem. Os seus têxteis assumem uma dimensão poética e narrativa que, mais recentemente, se expandiu para instalações imersivas onde combina tecelagem, aplicação de contas e crochet. Entrudo desenvolveu na Central Saint Martins a sua técnica de assinatura “(un)woven”, através da fusão de fios reciclados com aplicação precisa de calor, e tem continuado a criar têxteis e peças de vestuário que questionam os limites das práticas tradicionais de tecelagem. As suas apresentações conceptuais esbatem as fronteiras entre desfile de Moda e performance.

AD HOC concretiza um desejo antigo de colaboração entre Hazard e Entrudo, mas o seu nome está também ligado à história do espaço onde o projeto começou. O loft da Studio2M foi anteriormente casa e atelier da escultora Jackie Winsor, representada pela Paula Cooper Gallery. Quando começaram a trabalhar juntas no espaço, encontraram uma entrevista de Winsor à ArtNews, de 1992, na qual a artista recordava o seu primeiro contacto com um grupo de artistas chamado “Ad Hoc”. Fundado na década de 1970, o Ad Hoc Committee of Women Artists reunia regularmente no SoHo mais de 100 mulheres em resposta à sub-representação de artistas mulheres na Whitney Biennial. O artigo estabeleceu um ponto de contacto entre duas gerações.

AD HOC procura criar um espaço de intercâmbio entre disciplinas e questionar o seu valor no mundo contemporâneo, a partir das ligações entre tecido, espaço e corpo. A escala do corpo humano permanece como referência comum e como elemento de equivalência entre Arte e craft.

A própria produção prolonga esta aproximação entre práticas, processos e geografias. Os têxteis tecidos à mão e as obras são produzidos no atelier de Marie Hazard, em Paris, enquanto os têxteis “(un)woven” de Constança Entrudo são feitos à mão no seu atelier, em Lisboa. O denim, as malhas e o calçado são desenvolvidos com parceiros de produção de longa data no Norte de Portugal, e os botões e restantes acessórios são produzidos em Portugal.

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