Ao longo do tempo, uma prática vai construindo um vocabulário próprio. Que elementos, questões ou referências reconheces hoje como estruturantes da identidade do teu trabalho?
Ao longo destes anos, tenho procurado afastar-me daquilo que já me é familiar ao testar edições, expressões, emoções e poses que ainda não domino completamente. Referências como Szilveszter Makó, Hugo Comte e Rogger Cordeiro têm sido estruturantes nesse processo, assim como a procura constante de ideias fora da fotografia, nas artes visuais em geral.
PRIORITY parte da necessidade de estabelecer critérios num presente marcado por uma enorme disponibilidade de imagens, referências e possibilidades. Como te relacionas com essa abundância e como preservas a singularidade da tua perspetiva dentro dela?
Vejo essa abundância de imagens como material de pesquisa e arquivo. Uso-a com o objetivo de encontrar referências pontuais de fotógrafos, filmes, pinturas e músicas. Para manter a minha perspetiva, tento sempre ter uma ideia do que quero fazer e usar essa quantidade de informação apenas como ponto de partida técnico para o meu trabalho.
Ao receberes carta branca para fotografar a Lisboa Fashion Week, o que te interessa procurar num território que não pertence necessariamente ao universo habitual da tua prática?
A minha ideia seria explorar poses com base na expressão, tanto corporal como facial, em primeiro plano. Usaria também flash como um segundo recurso, para dar mais espontaneidade e ligação direta ao sujeito.