Ao longo do tempo, uma prática vai construindo um vocabulário próprio. Que elementos, questões ou referências reconheces hoje como estruturantes da identidade do teu trabalho?
O meu trabalho parte muito da observação e da relação entre pessoas, espaços e atmosferas. A Moda, a paisagem e o lifestyle são áreas que exploro de formas diferentes, mas existe uma procura comum por imagens espontâneas. A fotografia analógica teve também um papel fundamental na construção do meu olhar, pela sua imprevisibilidade e pela relação mais intuitiva com o momento.
PRIORITY parte da necessidade de estabelecer critérios num presente marcado por uma enorme disponibilidade de imagens, referências e possibilidades. Como te relacionas com essa abundância e como preservas a singularidade da tua perspetiva dentro dela?
A abundância de imagens e referências é simultaneamente uma inspiração e um desafio. Procuro filtrar essa informação através daquilo que genuinamente me desperta interesse, tentando não seguir apenas aquilo que é tendência. Para mim, a singularidade está sobretudo na forma como escolhemos olhar, selecionar e interpretar o que nos rodeia.
Ao receberes carta branca para fotografar a Lisboa Fashion Week, o que te interessa procurar num território que não pertence necessariamente ao universo habitual da tua prática?
Interessar-me-ia focar e mostrar a Fashion Week para além do desfile: os bastidores, a preparação, as pessoas e os momentos que fogem aos olhares dos mais atentos. A experiência que tive na Paris Fashion Week despertou precisamente esse interesse pelo lado menos visível da Moda. Em Lisboa, gostava de explorar a relação entre esse universo e a própria cidade, procurando momentos inesperados e uma interpretação pessoal desse ambiente.