SEXTA-FEIRA, 9 DE OUTUBRO. 18H00
PÁTIO DA GALÉ. ACESSÍVEL POR CONVITE.
CROMA: Onde nasce a cor
CROMA é a nova coleção primavera/verão 2027 da Adolfo Domínguez. Uma proposta que coloca a cor no centro da investigação criativa e a aborda a partir de três dimensões: científica, material e emocional.
A coleção parte de uma pergunta simples: o que é, realmente, a cor? Esta procura levou a equipa de design a estudar as suas propriedades físicas e a descobrir uma ideia tão surpreendente quanto reveladora: a cor não existe como uma qualidade intrínseca dos objetos. O que percecionamos como cor é a parte da luz que uma superfície reflete, em vez de absorver. Uma bola de ténis não é amarela; reflete esse comprimento de onda e absorve os restantes. Da mesma forma, uma peça de roupa amarela não acrescenta cor ao mundo: reflete uma parte da luz para que os nossos olhos a percecionem como tal.
Esta reflexão levou o processo criativo até à própria construção dos tecidos. Através de workshops de tingimento natural, a equipa experimentou com fibras e pigmentos para compreender de que forma a matéria altera a luz e, com ela, a nossa perceção da cor. Um processo artesanal, próximo da alquimia, em que a cor deixa de ser uma superfície e passa a ser o resultado de um diálogo entre a luz, o tecido e a pessoa que o observa.
Cada designer desenvolveu a sua própria interpretação desta ideia na ÁGORA, o laboratório criativo da Adolfo Domínguez. O resultado é uma coleção que se move entre a observação científica e a memória emocional. O caleidoscópio da infância reaparece sob a forma de bordados e patchworks geométricos; objetos do quotidiano com uma forte identidade cromática inspiram estampados que evocam uma memória coletiva, desde o laranja de um cone de trânsito ao verde de um esfregão ou ao amarelo de uma bola de ténis. A cor torna-se, assim, uma linguagem partilhada, capaz de despertar memórias mesmo antes de ser conscientemente reconhecida.
A paleta de CROMA parte de tons crus, neutros e preto, iluminados por tons pastel criados através da dessaturação das cores primárias e do aumento da sua luminosidade. Verdes, rosas, azuis e, sobretudo, um amarelo suave e radiante dão forma a uma proposta fresca, que se transforma consoante a forma como a luz incide sobre ela. Esta investigação traduz-se em materiais leves, transparentes e iridescentes — gazes, organzas, tafetás e tecidos enrugados — que filtram, refletem e matizam a cor através de sobreposições e véus translúcidos.
As silhuetas alternam entre alfaiataria de linhas retas e desconstruídas e vestidos e saias de cintura descida inspirados nos anos 20, enquanto os shorts e as bermudas conferem leveza à coleção. Entre as peças-chave encontram-se trench coats, coletes, bombers e calças em organza, concebidos como camadas que transformam a perceção da cor; lenços utilizados como elemento estrutural em vestidos, camisas e saias; patchworks geométricos inspirados no caleidoscópio; e aplicações de bordados e lantejoulas que intensificam o diálogo entre a peça e a luz.
Com CROMA, a Adolfo Domínguez propõe uma reflexão sobre a forma como olhamos. Uma coleção que entende a cor não como uma certeza, mas como um fenómeno em constante transformação, no qual a luz, a matéria e a perceção acabam por se encontrar para dar forma a cada peça.