SÁBADO, 10 DE OUTUBRO. 20H30
PÁTIO DA GALÉ. ACESSÍVEL POR CONVITE.
LUGAR COMUM
Para a primavera/verão 2027, procuramos lembrar-nos de onde vimos. Rasgar tecidos e reconstruir silhuetas. Criar volume para expandir. Entrelaçar cabelo para segurar. Estes não são gestos de nostalgia, são atos de reconexão.
Uma nascente de ritmo, resiliência e ritual que continua a pulsar através de nós, quer a reconheçamos ou não.
Honramos essa origem através da reverência: um diálogo entre culturas. É neste lugar de equilíbrio que encontramos terreno comum, onde línguas maternas se cruzam, onde valores intrínsecos falam mais alto do que vozes emprestadas.
Estamos a voltar atrás. E, desta vez, trazemos tudo o que aprendemos.
Sentimos falta de rituais, de momentos de conexão. Vivemos numa certa nostalgia do reconhecimento e, por isso, acabamos por recriar esses rituais, revelando-os através da roupa, das redes sociais, para nos conectarmos, para ampliarmos as nossas silhuetas e a nossa persona, para sermos vistos.
Os volumes respiram e transformam-se em movimento. Movem-se com o corpo, em vez de o restringirem. As cores são domadas, mas não apagadas. Terra queimada pelo sol, argila seca e ocre: são tons de memória, de lugar, de um sentimento de pertença. O violeta profundo e um dourado metálico emergem, enquanto o marfim e um rosa suave mantêm a coleção num equilíbrio sereno. O preto ancora tudo.
O artesanato está no centro. O trabalho manual, as texturas enredadas e as técnicas artesanais remetem para uma maneira mais lenta e intencional de criar. Chiffons fluidos e transparentes drapeiam-se e envolvem-se à volta do corpo, enquanto jacquards texturizados acrescentam profundidade e riqueza ao toque.
Franjas, tiras cruas e detalhes trançados transformam cada peça numa espécie de artefacto vivo, rasgado, reconstruído e renascido.
Os ornamentos não são um excesso decorativo; são símbolos, histórias, marcas de identidade e de cuidado.
Os estampados percorrem as nossas memórias, seguindo linhas e riscas, encontrando-se em volutas. Ondas sinuosas em preto e dourado ondulam como visões. Silhuetas animais abstratas surgem como memórias desvanecidas sobre painéis transparentes. Motivos geométricos encontram curvas suaves, desenhadas à mão, que cartografam paisagens internas. As riscas surgem em inúmeras variações, marcadas, delicadas, ritmadas, como o batimento cardíaco humano partilhado.